SAÚDE CENTRADA NA URGÊNCIA

Segundo o Dr. Mario Vianna, 40% da população de Manaus são atendidos pelo Programa Médico da Família. O Simeam defende a expansão dessa ação.

Um dos maiores desafios do governador a ser escolhido pelo povo hoje está no setor de saúde. Serviço considerado essencial e cujos investimentos têm vinculação de receita – 12% no caso dos Estados – a saúde foi tratada nos últimos oito anos como a prima-rica do orçamento, sempre recebendo mais de R$ 1 bilhão de investimentos anuais.

No entanto, faltou gestão, bom gerenciamento dos recursos e a qualidade do serviço ainda está aquém do desejado pela população.

Para o presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas, Mário Viana, a saúde pública no Amazonas é boa, mas tem um defeito grave que é estar centrada na área de urgência e emergência. “Este foco faz com que as áreas básica, de prevenção, e de atendimento especializado sofram desassistência”, analisa, apontando este como um dos gargalos a ser resolvido no próximo governo.

Mário Viana também destaca que é preciso fortalecer o Programa Médico da Família, que é uma atribuição das prefeituras, mas que pode contar com a ajuda do Estado. Ele estima que somente em Manaus exista este programa, atendendo apenas 40% da população. “O ideal é elevar este porcentual para 70% na capital e ter equipes atuando no interior”, aconselha.

Sobre os investimentos feitos nos últimos anos, Viana diz que eles foram importantes para o aumento da infra-estrutura e da contratação de equipes, mas faltou a criação de uma estrutura suficientemente hierarquizada e organizada para atender as diferentes demandas dos pacientes.

Outro desafio desse setor é equilibrar o número de médicos que trabalham no interior. Dos 3,6 mil médicos da rede pública – entre estatutários e cooperados – de 400 a 600 estão no interior. “Este é um desafio grande, pois para levar médicos para o interior não basta oferecer bons salários”, afirma, lembrando que no último processo seletivo o governo ofereceu salários que variavam de R$ 18 mil a R$ 20 mil, mas pouquíssimos se interessaram. “Por mais que o governo tenha investido, melhorado a infra-estrutura predial e de equipamento, nos municípios do interior a situação ainda é precária”, pondera.

Mário Viana também destaca que o médico sozinho não resolve o problema da saúde no município. “O médico não funciona sozinho, é necessário o apoio da Enfermagem, dos Fisioterapeutas, do Bioquímico-Farmacêutico, dificilmente se faz algo razoável em saúde sem ajuda de outros profissionais”, afirma.

Fonte: A Crítica, Política (Especial “Depois da Eleição”), 3 de outubro de 2010

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